Por uma pedagogia da esperança

20/Jun/11 Por uma pedagogia da esperança

*Por Carlos Alberto Barcellos

Somos o que fazemos com o tempo. A escola é um espaço privilegiado para a construção de valores que se traduzam em ações promotoras da vida. Recebemos todos dias crianças e jovens que, carregados de esperança, esperam encontrar em sua comunidade escolar um ambiente que respire ética nas relações e a solidariedade como condição para entendermos o que seja fraternidade.

Há três caminhos para trilharmos. Educar para a cidadania é um legado do qual não podemos fugir. A saída do discurso eloqüente para uma prática que dê vida a palavra dita, é urgência em tempos de vida banalizada, erotizada e mergulhada numa cultura da barbárie. Há nessa análise um grande conteúdo a ser construído de uma forma transversal. Construir, por exemplo, uma ação antibullying sistemática exige o envolvimento de toda uma comunidade escolar. Ações pontuais e segmentadas não possuem o poder de mudar a cultura da indiferença em vivência de respeito às diferenças.

Felizes as instituições que possuem um projeto pedagógico que privilegie resolução de conflitos como algo essencial no ar que uma escola respira.

Relevante é a construção de uma comunidade de educadores sintonizada numa convivência que valorize cada componente curricular, capaz de perceber cada etapa de formação de nossos alunos como condição para o momento seguinte. Cidadania é partilha e valorização de todos os saberes. Somos sempre ensinantes e aprendentes. O exemplo será sempre a única forma de ensinar.

Que seja capaz de ir às ruas numa dinâmica de inserção comunitária com um projeto inclusivo. Deixar o protagonismo juvenil acontecer com a participação desses atores com seu capital cultural e social. Quando um jovem assume, por exemplo, a luta pela redução de acidentes de trânsito de uma forma ativa e seqüencial, sabe como ninguém, o valor de palavras como cuidado e respeito. Ousemos sair de nossas atividades pontuais, embora importantes, para uma realidade de pleno engajamento.

Quem bebeu dessa água sabe que, embora exigente na sistematização, trouxe a coerência entre a palavra anunciada e o compromisso vivido. Parodiando Ivan Lins, que a nossa esperança seja sempre o caminho que deixamos de herança.

*Carlos Alberto Barcellos é professor da Escola Menino Deus, Escola Solidária 2009.



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2 comentários

  1. Andréa Carla Bimbati Pappa /

    Maravilhoso!!

    Nós que lutamos por uma escola que valorize e vivencie valores éticos e a prática da cidadania na “construção” de jovens críticos e capazes de ações que multipliquem conquistas solidárias, ficamos entusiasmados com novas ideias e textos que salientam esta busca.

    Obrigada!
    Andréa Carla Bimbati Pappa
    Psicopedagoga
    (“fã de carterinha” do Selo Escola Solidária)

  2. Ana Maria Antunes /

    Precisamos resgatar os valores morais e o caminho é a vivência da ética. A mudança começa a partir de pessoas como você.Parabéns pelo artigo.

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