Uma metodologia para Projetos de Voluntariado Educativo

Apresentamos abaixo alguns procedimentos que podem ser examinados como um fio condutor à elaboração de projetos de Voluntariado Educativo pela escola. Porém, acreditamos que cabe a cada unidade escolar e a cada instituição educacional fazer as devidas adequações dessa metodologia, pois é a realidade local que determinará a necessidade de pular alguma e/ou de reforçar outras etapas aqui sugeridas.

A figura acima indica as etapas do projeto de voluntariado educativo, demonstrando que o projeto só pode ser sustentável se houver clareza de proposta, motivação e reflexão constantes.

Etapas do Projeto de Voluntariado Educativo:

1. Convocação
2. Diagnóstico
3. Elaboração do projeto
4. Ação
5. Reflexão
6. Registro
7. Reconhecimento e comemoração

1. Convocação

A primeira etapa é a “convocação”. Para a realização de um projeto é necessário obter apoio tanto dentro da escola (coordenadores, professores, alunos e funcionários) como fora dela (vizinhança, ONGs, comércio e imprensa locais, associação do bairro, etc.).

Convocar é convidar, chamar, informar, conquistar o interesse e o apoio, integrar e comprometer a escola e a comunidade em um só objetivo. A constituição do grupo decorre de sua indignação inicial em relação a uma dada situação-problema.

Pode-se convocar de diferentes formas:
• Convidando pais, educadores, alunos e vizinhança para fazerem parte da elaboração do projeto;
• Distribuindo cartazes e folhetos pelo bairro e pela escola para que o projeto ganhe visibilidade;
• Realizando seminários e palestras para esclarecer e divulgar o projeto;
• Pedindo que a mídia local faça a divulgação;
• Indo de sala em sala, enviando e-mails ou até mesmo divulgando boca-a-boca para que todos possam tomar conhecimento e participar das ações que serão desenvolvidas.

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2. Diagnóstico

Diagnosticar é identificar quais são as reais necessidades daquela pessoa, grupo ou organização social que receberá a ação voluntária.

Nesta etapa se (re)conhece o perfil dos participantes, identificando qual será o tempo, trabalho e talento que os voluntários poderão dispor ao projeto. Estas informações serão fundamentais para a realização posterior do plano de ação.

A partir desta primeira análise, poderão ser definidas as ações, os recursos necessários, o tempo previsto, as ferramentas e os meios para a implantação do projeto.

Fazer o diagnóstico implica:
• entrevistar pessoas da comunidade, das instituições locais que possam ajudar a traçar o perfil das necessidades locais;
• fazer e distribuir questionários, com perguntas abertas e/ou fechadas para mapear as condições atuais;
• conversar com moradores antigos, com a imprensa, políticos e lideranças locais, para pesquisar o histórico da comunidade.

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3. Elaboração do projeto

Há muitas formas possíveis de se realizar um projeto, e o grupo deve discutir e decidir como irá fazê-lo.

É fundamental refletir sobre algumas questões que deverão nortear as ações:
• Justificativa: por que fazer? O que move o grupo a tomar esta iniciativa?
• Objetivo: O que se quer alcançar?
• Grupo de trabalho: Quem está disposto a fazer parte?
• Público alvo: A quem se destina este projeto de voluntariado?
• Plano de ação: O que e como fazer? Quais são as ações e fases necessárias?
• Cronograma: Quando? Qual o tempo necessário e que será previamente reservado para cada fase?
• Recursos: Quanto é necessário para a realização do projeto - recursos materiais, humanos e financeiros? Quais são os parceiros envolvidos? Quais poderão ser os parceiros?

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4. Ação

Muitas são as ações que podem ser desenvolvidas por projetos de Voluntariado Educativo, considerando os diferentes públicos e áreas de atuação.

O trabalho com projetos, além dos benefícios que traz à comunidade, promove a cultura do voluntariado, envolvendo alunos e educadores em discussões político-sociais sobre cidadania, saúde, habitação, artes, lazer, entre outras possibilidades.

A partir da análise, do diagnóstico e do planejamento das ações, os alunos envolvidos tornam-se parte de um projeto que poderá beneficiar toda comunidade, em pequenas ou grandes ações, com responsabilidade, criticidade, autonomia, favorecendo diretamente o desenvolvimento das inteligências interpessoais e intrapessoais, essenciais na formação de cidadãos.

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5. Reflexão

Refletir sobre a ação e como ela acontece é essencial e deve permear todas as etapas do projeto. Sempre que necessário, o grupo deve trocar impressões e idéias para checar se os resultados correspondem ao esperado.

É importante considerar o diálogo como exercício chave no processo educacional. Dialogar é dar voz e vez a todos os integrantes do grupo, permitindo a troca de experiências, prática que garantirá o sucesso do projeto.

É fundamental que o projeto seja constantemente avaliado por meio de uma reflexão conjunta sobre os seus resultados.

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6. Registro

Fazer o registro das etapas e dos processos permitirá analisar, revisar, ampliar, reeditar e divulgar a experiência. A partir do registro, será formada uma base de dados comum de conhecimento disponível para todos que necessitem conhecer as fases, os impactos, os resultados, as dificuldades e as conquistas do projeto.

O registro pode ser feito por meio de:
• memórias das reuniões, relatórios, pautas;
• arquivo de banco de dados e pesquisas realizadas ao longo do projeto;
• fotos da comunidade atendida em atividade, que podem ser feitas antes e depois das ações, além de eventos, campanhas, os envolvidos, reuniões etc.
• filmagem de entrevistas, palestras e apresentações promovidas com o público atendido.
• gravação de reuniões, entrevistas ou depoimentos para que não seja perdida nenhuma informação, o que posteriormente poderá ser transcrito e arquivado.

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7. Reconhecimento e comemoração

Reconhecer é um procedimento que nem sempre é lembrado, mas valorizar, estimular, divulgar ações de voluntariado são gestos que promovem o comprometimento.

A seguir, algumas maneiras de incentivar a participação em projetos sociais:
• certificado: emitir certificados que atestam a participação dos envolvidos, contendo o nome do aluno, nome da escola bem como o do projeto, a carga horária, o período e o tipo de atividade realizada, entre outras informações.
• certificado escolar: nos Estados de São Paulo e Bahia foi aprovada uma resolução que permite registrar no histórico escolar as horas de trabalho voluntário prestadas pelos alunos. Saiba mais nos sites de suas respectivas secretarias de educação.
• homenagem: realizar celebrações simples de conclusão de etapas, que resultem em homenagem aos participantes, pode ser simples e extremamente gratificante, além de ser um procedimento que reconhece e convoca a todos para dar continuidade as etapas seguintes ou a nova edição do projeto.
• publicações: além de dar visibilidade às ações da comunidade, reconhece e estimula voluntários a continuar.
Lembre-se: cada escola saberá a melhor forma de reconhecer e comemorar o trabalho voluntário de seus jovens.

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